"Nunca o socialismo democrático foi tão importante" - Diogo Henriques
Vivemos hoje novos tempos, temos de incerteza e de estagnação a todos os níveis. Encaminhamo-nos hoje, sem sombra de dúvida, para uma nova crise macro-económica. Uma crise que já se esperava ter repercussões neste presente ano, mas nunca pensaríamos que se juntaria a uma crise pandêmica desta natureza. Espera-se uma crise, sem precedentes. Uma crise brutal, que nem nós sabemos de quão brutal ela será. Há experiências passadas que têm que reavivar a nossa memória, de modo a que não se cometam os mesmos erros do passado. O tempo de reavivar os erros do passado é agora, para que não passe disso mesmo, erros do passado.
Entre 2008 e 2012, milhares de pessoas abandonaram o país, outros milhares foram para o desemprego, para não falar de que a grande parte daqueles que trabalhavam, eram precários, com salários baixos, que sobreviviam ou pelo menos tentavam sobreviver, no nosso país. Tivemos um primeiro-ministro, que na altura do pós-"subprime", fez tudo o que não deveria ter feito. Aceitou e incentivou a uma intervenção brusca da TROIKA e do FMI, privatizou uma série de serviços elementares para a nossa sociedade, enquanto priorizava políticas de curto prazo que nada resolveram os problemas estratégicos do país. Estes são erros que não podem ser repetidos numa eventual crise futura.
Uma crise não pode ser resolvida com privatizações, desinvestimentos nos serviços públicos e com cortes nos salários, nas pensões e nas reformas. Antes pelo contrário, para a economia ser circular, temos que garantir que as pessoas ganhem mais, para terem uma melhor qualidade de vida, e assim consumirem mais. Para a economia ser circular, temos que garantir que a contribuição fiscal do capital seja, simultaneamente, taxada progressivamente como a força do trabalho. Só assim, será possível termos uma maior liquidez estatal e, porventura, mais e melhores serviços públicos.
"De cada qual, segundo a sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades", já proferia o sociólogo Karl Marx, na defesa intransigente de uma sociedade mais justa. Assim também deverá o ser hoje, na forma de estarmos, vivermos e agirmos enquanto sociedade. Temos que garantir que no pós-pandemia, numa eventual crise pós-pandémica, nenhum português fique para trás. Tendencialmente são os mais vulneráveis, os precários, as classes mais abastadas, que sofrem com os resultados das políticas erradas para o país. Não deixemos que isso aconteça como na última crise.
UMA NOVA AGENDA SOCIAL PARA A EUROPA E PARA O MUNDO
A extrema-direita cresce por todo o Mundo, enquanto as políticas neo-liberais consolidam-se em múltiplos países. Há quem dite que são modas, mas aquilo que acredito é que são aproveitamentos de meras falhas dos partidos do "mainstream". Os partidos sociais-democratas, por todo o Mundo, falharam redondamente. Falharam na França, falharam na Alemanha, falharam na Polónia, falharam na Itália, falharam na Hungria, falharam no Reino Unido e continuam a falhar em muitos países. Os partidos sociais-democratas de Portugal e de Espanha, também falharam, mas felizmente, aos poucos, conseguiram remendar os erros cometidos no passado. A esperança e a sobrevivência da social-democracia passa hoje, por pouco mais do que Espanha, Portugal, Holanda e Malta (apesar de serem casos diferentes), e ainda pelos movimentos que crescem e recrescem pela defesa do socialismo democrático como nos EUA. Nos EUA, o Bernie Sanders é a cara daqueles que defendem um serviço público "Medicare", ou lá como eles dizem. É a cara daqueles que são renegados pelas suas condições financeiras, daqueles que estão à margem da sociedade. O Bernie lutou durante mais de 4 décadas para que o socialismo democrático, hoje, pudesse ser conversa em cafés e restaurantes, um socialismo que como ele diz, "nada tem a ver com a Venezuela, muito menos com Cuba, trata-se de um socialismo que olha para Suécia como um exemplo claro de qualidade de vida." Hoje, passados 40 anos, lá ele conseguiu que esse tabu fosse meramente ultrapassado.
Quer para o Bernie, quer para mim, o socialismo sueco é um "chapada na cara" para aqueles que acham que mais qualidade de vida só pode ser obtido com privatizações e com um Estado Social cada vez mais reduzido. Um Estado serve para intervir e não apenas para regular. Um Estado serve para pôr termos aos abusos, termos às injustiças e investir naquilo que realmente importa. Foi esse exatamente o erro dos partidos sociais-democratas nas últimas décadas, não colocar termos ao avanço selvagem do capital. Os casos de corrupção, de falta de transparência e de compadrio fizeram com que aqueles que defendiam um Estado Social mais forte, achassem que os impostos que pagavam, já não serviam para desmamentar as desigualdades, mas sim acentuá-las, descartando responsabilidades fiscais para os "donos disto tudo". Quem tem mais capital, tem que contribuir fiscalmente mais para o Estado. Nunca, em circunstância alguma, podemos defender taxas únicas de contribuições, porque como se pode tratar de forma igual, aqueles que economicamente não são iguais?! Há quem defenda, hoje, inclusive em Portugal, uma taxa única de IRS de 15% (lá nas alas do CHEGA e do IL). Mas vejamos, se uma pessoa recebe 2000 mil euros e tiver uma taxa de IRS de 15%, como tanto defendem, essa pessoa pagaria 300€ apenas de IRS. Já um trabalhador que receba 800€, passaria a pagar 120€ de IRS. 300€ não faz muita falta para quem recebe 2000 mil euros, mas para uma pessoa que recebe 800€, ficar com 680€ brutos, porque ainda faltam pagar contribuições como a Segurança Social, é um ataque à classe baixa e média do nosso país.
O fascismo não corrompe com o neoliberalismo, antes pelo contrário, junta-se a ele.
Se hoje temos cerca de 50% dos trabalhadores, de todo o mundo, que são precários e temos uma maior dicotomia entre os mais pobres e os mais ricos, penso que está tudo dito. O mundo tem que ser transformado e uma social-democracia renovada faz falta nessa transformação.
Diogo Henriques
Entre 2008 e 2012, milhares de pessoas abandonaram o país, outros milhares foram para o desemprego, para não falar de que a grande parte daqueles que trabalhavam, eram precários, com salários baixos, que sobreviviam ou pelo menos tentavam sobreviver, no nosso país. Tivemos um primeiro-ministro, que na altura do pós-"subprime", fez tudo o que não deveria ter feito. Aceitou e incentivou a uma intervenção brusca da TROIKA e do FMI, privatizou uma série de serviços elementares para a nossa sociedade, enquanto priorizava políticas de curto prazo que nada resolveram os problemas estratégicos do país. Estes são erros que não podem ser repetidos numa eventual crise futura.
Uma crise não pode ser resolvida com privatizações, desinvestimentos nos serviços públicos e com cortes nos salários, nas pensões e nas reformas. Antes pelo contrário, para a economia ser circular, temos que garantir que as pessoas ganhem mais, para terem uma melhor qualidade de vida, e assim consumirem mais. Para a economia ser circular, temos que garantir que a contribuição fiscal do capital seja, simultaneamente, taxada progressivamente como a força do trabalho. Só assim, será possível termos uma maior liquidez estatal e, porventura, mais e melhores serviços públicos.
"De cada qual, segundo a sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades", já proferia o sociólogo Karl Marx, na defesa intransigente de uma sociedade mais justa. Assim também deverá o ser hoje, na forma de estarmos, vivermos e agirmos enquanto sociedade. Temos que garantir que no pós-pandemia, numa eventual crise pós-pandémica, nenhum português fique para trás. Tendencialmente são os mais vulneráveis, os precários, as classes mais abastadas, que sofrem com os resultados das políticas erradas para o país. Não deixemos que isso aconteça como na última crise.
UMA NOVA AGENDA SOCIAL PARA A EUROPA E PARA O MUNDO
A extrema-direita cresce por todo o Mundo, enquanto as políticas neo-liberais consolidam-se em múltiplos países. Há quem dite que são modas, mas aquilo que acredito é que são aproveitamentos de meras falhas dos partidos do "mainstream". Os partidos sociais-democratas, por todo o Mundo, falharam redondamente. Falharam na França, falharam na Alemanha, falharam na Polónia, falharam na Itália, falharam na Hungria, falharam no Reino Unido e continuam a falhar em muitos países. Os partidos sociais-democratas de Portugal e de Espanha, também falharam, mas felizmente, aos poucos, conseguiram remendar os erros cometidos no passado. A esperança e a sobrevivência da social-democracia passa hoje, por pouco mais do que Espanha, Portugal, Holanda e Malta (apesar de serem casos diferentes), e ainda pelos movimentos que crescem e recrescem pela defesa do socialismo democrático como nos EUA. Nos EUA, o Bernie Sanders é a cara daqueles que defendem um serviço público "Medicare", ou lá como eles dizem. É a cara daqueles que são renegados pelas suas condições financeiras, daqueles que estão à margem da sociedade. O Bernie lutou durante mais de 4 décadas para que o socialismo democrático, hoje, pudesse ser conversa em cafés e restaurantes, um socialismo que como ele diz, "nada tem a ver com a Venezuela, muito menos com Cuba, trata-se de um socialismo que olha para Suécia como um exemplo claro de qualidade de vida." Hoje, passados 40 anos, lá ele conseguiu que esse tabu fosse meramente ultrapassado.
Quer para o Bernie, quer para mim, o socialismo sueco é um "chapada na cara" para aqueles que acham que mais qualidade de vida só pode ser obtido com privatizações e com um Estado Social cada vez mais reduzido. Um Estado serve para intervir e não apenas para regular. Um Estado serve para pôr termos aos abusos, termos às injustiças e investir naquilo que realmente importa. Foi esse exatamente o erro dos partidos sociais-democratas nas últimas décadas, não colocar termos ao avanço selvagem do capital. Os casos de corrupção, de falta de transparência e de compadrio fizeram com que aqueles que defendiam um Estado Social mais forte, achassem que os impostos que pagavam, já não serviam para desmamentar as desigualdades, mas sim acentuá-las, descartando responsabilidades fiscais para os "donos disto tudo". Quem tem mais capital, tem que contribuir fiscalmente mais para o Estado. Nunca, em circunstância alguma, podemos defender taxas únicas de contribuições, porque como se pode tratar de forma igual, aqueles que economicamente não são iguais?! Há quem defenda, hoje, inclusive em Portugal, uma taxa única de IRS de 15% (lá nas alas do CHEGA e do IL). Mas vejamos, se uma pessoa recebe 2000 mil euros e tiver uma taxa de IRS de 15%, como tanto defendem, essa pessoa pagaria 300€ apenas de IRS. Já um trabalhador que receba 800€, passaria a pagar 120€ de IRS. 300€ não faz muita falta para quem recebe 2000 mil euros, mas para uma pessoa que recebe 800€, ficar com 680€ brutos, porque ainda faltam pagar contribuições como a Segurança Social, é um ataque à classe baixa e média do nosso país.
O fascismo não corrompe com o neoliberalismo, antes pelo contrário, junta-se a ele.
Se hoje temos cerca de 50% dos trabalhadores, de todo o mundo, que são precários e temos uma maior dicotomia entre os mais pobres e os mais ricos, penso que está tudo dito. O mundo tem que ser transformado e uma social-democracia renovada faz falta nessa transformação.
Diogo Henriques
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